História do Colchão

No princípio o homem dormiu no chão duro e frio. Mas não levou muito tempo até ele formar um montículo de folhas, palha e ramos criando uma superfície mais confortável para dormir. Ele logo colocou uma pele animal em cima do montículo para servir de lençol e usou outra como cobertor. Depois formou o que mais tarde viria a ser chamado de colchão, costurando duas peles ou tecidos e enchendo com os materiais que antes estavam no chão (folhas, palha e ramos). Para tirar o colchão do chão e suportar seu peso foram construídas armações de madeira crua amarradas em cruz com cordas. Era preciso estar bem amarrado pois normalmente as cordas afrouxavam. Essa cama básica era chamada de paleta (pallet).

 

Em culturas mais avançadas como a dos egípcios, gregos e romanos, camas ornadas eram usadas pelas classes mais altas. 3400 A.C. o Rei Tut dormia em uma cama de ébano (madeira nobre) enquanto os cidadãos dormiam sobre pilhas de palmeiras. Estima-se que o primeiro colchão foi desenvolvido pelos romanos. Ele era cheio com materiais orgânicos como palha, pelo animal, algodão, lã ou penas. Desde as primeiras civilizações até a idade média camas ornadas eram símbolo de poder e riqueza. Os colchões básicos não eram muito bons.

Os romanos também usaram o primeiro colchão de água, mas não como o conhecemos. Para eles colchão de água significava deitar na água morna, em uma espécie de banheira, até ficar com sono, então alguém o elevava até um colchão de balançar para balançá-lo até ele dormir.

Durante o renascimento o enchimento dos colchões era composto de penas e feno e o revestimento utilizava tecidos luxuosos como seda, brocado (tecido com desenhos em relevo) e veludo.

 

No século XVI foi desenvolvido um novo tipo de cama. O colchão era colocado sobre uma treliça de cordas fixas em uma estrutura retangular de madeira. Desde então os colchões passaram a ser estofados também na parte de baixo.

A primeira cama de ferro e o primeiro colchão estofado com algodão foram introduzidos no século XVIII. Em 1881, Sealy, Texas, uma pequena cidade fora de Houston, Daniel Haynes, fabricante de máquinas de descaroçar de algodão, começou a fazer colchões estofados com algodão e vender para amigos e vizinhos.

Daniel Haynes inventou uma máquina que comprimia o algodão para o uso em colchões e 1889 conseguiu a patente sobre a invenção. Seu colchão ficou tão popular que ele vendeu direitos sobre a patente pessoas em outros mercados que também começaram a fabricar o produto que na época era conhecido como o “Colchão de Sealy”.

Com a revolução industrial surgiu a mola de aço em espiral que foi primeiramente patenteada em 1857 para o uso em acentos de cadeiras. Heinrich Westphal foi reconhecido como o inventor do colchão de molas em 1871. Heinrich morava na Alemanha e não se beneficiou de sua invenção, tendo morrido na pobreza.

Em 1876, Kenosha, Wisconsin (EUA), Zalmon G. Simmons começou a produção em massa de camas de arame trançado. Nessa época somente os ricos podiam ter camas com estrados de mola. Com seu processo inovador Simmons derrubou o preço da cama de U$ 12 para 95 cents.

Por volta de 1900 era comum ter colchões infestados de insetos, até mesmo os novos. O enchimento orgânico estava sujeito a todos os tipos de ataques de bichos, bactérias e mofo. Usava-se muito a expressão: “Não deixe os bichos da cama morder.”

Mesmo nos anos 50 e 60 os colchões de algodão eram populares. O algodão mofava facilmente em climas quentes e úmidos até o advento do ar-condicionado. Os colchões de algodão se diferenciavam entre feitos de algodão cru e feitos de feltro de algodão. Os de feltro de algodão eram mais caros. Os colchões de algodão tendiam a ficar mais compactos e duros com o tempo ao contrário do colchão de molas que fica mais macio ao longo do tempo.

Os colchões de mola começaram a ganhar mercado nos anos 20, mas só obteve êxito realmente após a segunda guerra mundial quando houve uma corrida pelas patentes em diferentes modelos de colchões.

Nos anos 50 houve um rápido desenvolvimento do mercado com as empresas licenciadas como Sealy, Simmons, Spring Air, King Coil e Restonic.

Os lançamentos dos tamanhos King e Queen super-sise causaram grande impacto no mercado.

A espuma era um subproduto das guerras. O Látex veio primeiro como resultado desesperado para substituir a borracha. A espuma de poliuretano se tornou um concorrente do látex em meados da década de 50 pois sua espuma era muito mais cara que um colchão de molas. O poliuretano era mais barato que o látex, entretanto uma espuma de qualidade boa ainda era mais cara que um colchão de molas. Espuma barata foi muito usada para fazer colchões e isso criou um conceito ruim para os colchões de espuma. Era difícil alcançar uma diferenciação com poucas opções de colchões. Com a preocupação dos fabricantes quanto a firmeza (quanto mais firme melhor), os colchões de espuma eram muito duros e os consumidores não sentiam a diferença, por isso a espuma nunca ganhou muito mercado nos EUA.

No final dos anos 50 e começo dos anos 60 os tecidos bordados (metalassé) se tornaram populares em detrimento dos tecidos lisos. As superfícies dos colchões a partir de então eram multi-agulhadas e esse estilo domina o mercado até hoje.

Antes do advento do colchão de molas, aqui no Brasil, eram usadas as CAMAS PATENTE, Empresa de L. LISCIO, fundada na década de 20, em São Paulo, no Bairro da Ponte Grande. Eles fabricavam Camas, provavelmente copiadas da Europa (Áustria ou Alemanha) que tinham uma base de molas cônicas, montadas na própria cama, sobre a qual era usado um colchão de algodão ou de crina(vegetal ou animal). Era um tipo de Box Spring sem cobertura. Nos EUA os americanos já tinham colocado o molejo dentro do colchão. Esta empresa teve muito sucesso, porém com a chegada dos colchões de molas, desapareceu.

A primeira empresa brasileira a fabricar colchões de molas foi a Industria Raphael Musseti fundada em 1936. Posteriormente introduziu em sua linha a marca européia EPEDA, pela qual ficou conhecida e a marca americana Simmons, com as quais trabalha até hoje sob a propriedade do Grupo Espanhol Flex. A segunda empresa de porte no ramo, foi a PROBEL, fundada em 1940 pelo Sr. Paulo Robbel donde surgiu o nome.

Várias Empresas que apareceram na década de 40 e 50 desapareceram, como por exemplo: Colchões DRAGO e Colchões Luiz XV, entre outras.

No que se refere a espuma de poliuretano a primeira empresa a produzir espumas , foi a antiga ORION fundada entre os anos de 1958 ou 1959, localizada no Brás em São Paulo, posteriormente teve seu nome mudado para TRORION. Entre os pioneiros na espuma podemos destacar ainda a PIRASPUMA e a VULCAN, ambas já desaparecidas.

Podemos dizer que em sua estrutura básica o colchão de molas sofreu grandes mudanças desde sua invenção.

A alta tecnologia empregada e a diversidade de tipos nos

proporciona cada vez mais conforto ao dormir.

 

Os molejos usados inicialmente, eram simples molas cônicas ou bi-cônicas, feitas praticamente à mão. Imagine uma roldana de poço para tirar baldes de água; pois bem as molas eram fabricadas com este tipo de roldana no tamanho da mola e com uma forma de ampulheta com uma canaleta interna por onde era passado o arame de aço, para dar o formato da mola. O mais importante foi a evolução nas molas e nos tipos de molejos, hoje existentes. Temos hoje em dia , cerca de 7 ou 8 construções diferentes de molejos. Por exemplo, somente o tipo Pocket (MARSHALL) ou seja a mola ensacada, existe hoje em diversos tipos e formatos tais como: Tipo Barril,tipo Helicoidal, tipo Ampulheta , tipo Joey, tipo SOFT-TOUCH, etc. Esta diversidade se aplica também nos molejos Bonnells, que existem hoje com muitas diferenciações. O mesmo pode se dizer dos chamados molejos de Fio Continuo, que podem ser representados pelos tipos, Multilastic, Miracoil, Superlastic, etc.

 

A única coisa que permanece igual é o uso do aço pois mesmo o revestimento que outrora era de algodão hoje é feito predominantemente de espuma de poliuretano nos dois lados do colchão e cobertos com um bonito metalassé.

Autor: Adm. Antonio Claudio de Xerez Paulino - By ABICOL| março 1st, 2014

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